Da crítica

António Pires analisa o Parainfernália no Raízes e Antenas. Aqui fica a transcrição, com a devida vénia:


DIABO A SETE
«PARAINFERNÁLIA»
Açor/Megamúsica

É uma coincidência feliz falar do (lindíssimo!, diga-se desde já) álbum de estreia dos Diabo a Sete a seguir ao novo álbum de Júlio Pereira. E é-o porque Pereira é, sem dúvida, uma influência decisiva na música deste grupo de Coimbra: tanto no uso dos cordofones como na sua abordagem à música tradicional portuguesa e na sua abertura a outras músicas. Mas essa influência, se bem que importante, é apenas um dos elementos da música feita pelos Diabo a Sete. Partindo muitas vezes do cancioneiro popular (Madeira, Trás-os-Montes, Alentejo, Algarve...) mas aventurando-se também em muitos temas originais mas de inspiração tradicional - quase todos de Pedro Damasceno (o homem dos cordofones e da concertina) -, os Diabo a Sete seguem depois por inúmeros caminhos que tanto os levam ao rock como ao reggae como à chamada «música celta» como às «danças europeias», mas sempre com um bom-gosto, uma leveza, uma facilidade (no bom sentido da palavra, isto é, no sentido de «naturalidade») e uma beleza genuínos. Peças fundamentais no som do grupo são, para além dos instrumentos tocados por Damasceno, a voz e a sanfona de Julieta Silva (ela também dos Chuchurumel), a gaita-de-foles de Celso Bento e uma secção rítmica rara neste tipo de projectos: o baixo eléctrico de Eduardo Murta e a bateria de Miguel Cardina, que se remetem quase sempre a uma posição discreta mas fundamental para a coesão do resultado final. E se não destaco aqui um ou outro tema, a razão é simples: porque este é um álbum para ouvir do princípio ao fim, sem pontos mortos ou temas menos interessantes. Um álbum importante. (8/10)

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